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Gilmário, o escultor da serra elétrica

- 10/05/2016

Um dia, o baiano Gilmário Santana Silva percebeu que assim como as nuvens, montanhas e cavernas, as árvores também sugeriam formas que lembravam diversos símbolos de nosso cotidiano. Achou que poderia esculpí-las e para isso ousou, usando uma motosserra. Atualmente com 54 anos, Gilmário já produziu mais de quatro mil peças, muitas delas expostas nos Estados Unidos, México, Europa e no Oriente.

Quem passa no horário comercial pela avenida José Bento Ribeiro Dantas a caminho do Centro de Búzios é alertado pelo barulho estridente da máquina, que vem de um platô à esquerda. Foi ali, a cinco minutos do Centro e da orla, que o escultor montou o seu ateliê.

Arremata o detalhe de um santo encrustrado numa gruta para, em seguida, desligar o seu “cinzel mecânico”, como apelidou a máquina perigosa: “Ela é bruta, desaforada e cortante de todas as maneiras. Não dá para conversar com ela ligada, não só pelo barulho, mas principalmente pelas traições que pode cometer. E, depois de o acidente acontecer, não tem volta” – comenta, deixando bem claro que muito mais do que respeito, tem verdadeiro pavor de sua ferramenta de trabalho.

Nascido em Itapetinga, no Centro-Sul da Bahia, a 562 km de Salvador, Gilmário dedicou a sua primeira peça à colheita do cacau, até hoje exposta na cidade de Ilhéus, imortalizada na obra de Jorge Amado. Ganhou R$ 160 mil pela escultura e se entusiasmou, produzindo outras, que vão de bibelôs que complementam a decoração de um ambiente a monumentos colossais, aproveitando a imponência de troncos de árvores. Também produz painéis, cujos detalhes mais sutis são aparados com a lâmina da serra elétrica. Orgulha-se em dizer que uma série de paineis foi comprada por um colecionador da Dinamarca.

De tanto trabalhar com a motosserra, Gilmário concluiu que a ferramenta pode ser aprimorada, com a adaptação de uma corrente especial – o que possibilitaria que ela também cortasse mármores e granitos. E ele, que busca sempre o caminho da originalidade, poderia esculpir na pedra também. Pretende levar a idéia aos fabricantes.


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