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História

Médico que pregou a higiene morreu como louco

BBC Brasil - 18/04/2020

Nunca uma prática foi tão difundida em todo o planeta como a salvadora lavagem das mãos – a maior defesa que o ser humano encontrou, ao menos até o momento, para se defender do insaciável Covid-19.

O primeiro a perceber a eficácia desta prática foi o médico húngaro Ignaz Semmelwels que, na primeira metade do século XIX, trabalhava no Hospital de Viena, na Áustria.

Naquele tempo era muito mais seguro tratar de um paciente em casa do que no hospital, onde a falta de higiene era total. Nos centros cirúrgicos, jogava-se serragem no chão para absorver o sangue e os fluidos do paciente. Os médicos não se lavavam, nem usavam luvas; máscaras, nem pensar!

Atualmente, vivemos uma situação semelhante, nem tanto pelo estado dos hospitais, que não chega a ser tão degradante, mas é lá que o Covid-19 passeia livremente – daí a segurança maior de se permanecer em casa, mesmo com outras doenças.

No ínício do século XIX, os cirurgiões não lavavam as mãos, nem usavam luvas - BBC Brasil

ATIRANDO NO ESCURO - O alto índice de mortalidade na maternidade chamou a atenção de Semmelwels. Em decorrência de problemas no parto, muitas mulheres sofriam ferimentos e, logo em seguida contraíam infecções que levavam à morte. Os médicos ainda não conheciam os germes, nem as bactérias, e atribuíam as complicações a vários fatores. Imaginava-se que doenças eram transmitidas por vapores de nuvens, os miasmas.

O médico húngaro chegou a pensar na possibilidade de um sino macabro, tocado pelo assistente de um padre encarregado de dar a extrema-unção nas pacientes agonizantes. Supôs que, afetadas pelas sinistras badaladas, outras mulheres piorassem imediatamente. Proibiu o sacristão de tocar o sino, mas logo notou que a medida não interferiu nas estatísticas de letalidade.

A segunda observação de Semmelwels foi sobre o tratamento das grávidas, que eram cuidadas por acadêmicos e parteiras, trabalhando em enfermarias diferentes. O número de óbitos na enfermaria dos acadêmicos era muito maior do que na outra. Imaginou que isso se devesse à rudeza do tratamento de uns, em contraposição à delicadeza de outras. Mas também não era.

Ignaz Semmelwels foi colocado num hospício e morreu na escuridão - BBC Brasil

A GRANDE DESCOBERTA - Por fim, Ignaz notou que as parteiras cuidavam muito mais da higiene pessoal do que os acadêmicos, que saíam de uma sala de necropsia, onde manuseavam cadáveres, e iam direto para a maternidade, sujos como estavam. Imaginou: “Será que eles transportam impurezas de um corpo e levam para os das parturientes?”

Bingo!

A partir dessa observação, o médico estabeleceu uma nova prática no hospital. Colocou uma bacia com água, sabão e cal entre as duas enfermarias, determinando que todos, médicos e parteiras, lavassem as mãos antes de tocar nas pacientes. O índice de mortalidade despencou de 20% para menos de 2%.

A certeza foi tão grande que, em artigos assinados, Semmelwels afirmava que os seus colegas que não lavavam as mãos eram “verdadeiros assassinos” – e isso causou revolta aos sujismundos da época. Os mais poderosos boicotaram o obstetra húngaro, que deixou a Áustria e retornou a seu país, onde teve que trabalhar de graça numa cadeia pública.

Enganado por um colega, foi levado a visitar um manicômio, onde acabou preso, espancado, torturado e trancado numa cela escura, onde acabou enlouquecendo de verdade e morreu aos 47 anos.

A importância de seu trabalho abriu as portas para as pesquisas de Louis Pasteur, Joseph Lister e Robert Koch.

(Cláudio Vieira, com base em matéria publicada pela BBC Brasil)


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